“Esta é a
palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor: "Vá à casa do oleiro, e
ali você ouvirá a minha mensagem". Então fui à casa do oleiro, e o vi
trabalhando com a roda. Mas o vaso de barro que ele estava formando se
estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a
sua vontade. Então o Senhor dirigiu-me a palavra: "Ó comunidade de Israel,
será que não posso eu agir com vocês como fez o oleiro? ", pergunta o
Senhor. "Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó
comunidade de Israel”. Jeremias 18:1-6
Eu gostaria, por motivos
óbvios (veja o nome do blog!), de escrever o primeiro texto do blog refletindo
sobre essa linda, e tão cheia de simbologia, passagem do livro de Jeremias que
relata sua visita à casa do oleiro, em obediência a Deus.
Há uma grande chance de que eu
repita aqui alguns pensamentos ou palavras que muitos de nós já lemos em algum
livro, já ouvimos em alguma pregação ou mesmo já escutamos em nosso íntimo
quando estamos a sós com Deus e Sua Palavra. A verdade é que não tenho a pretensão
e nem formação para transformar qualquer coisa escrita aqui em algo
completamente inédito ou em um tratado teológico, minha única vontade é poder
compartilhar aquilo que a leitura das escrituras causa em mim, o modo como me
alcança, como ressoa e se propaga para além de mim. Vou tentar, embora por
vezes não seja fácil, me desvencilhar da linguagem típica daqueles que nasceram
e sempre viveram ligados a uma igreja. Sei que isso pode parecer estranho, mas
é fato que com o tempo adquirimos um vocabulário tão específico, tão nosso, que
finda por nos distanciar daqueles que não estão acostumados com esse jeito de
falar.
Vamos voltar ao texto então...
Jeremias observa o oleiro
trabalhando, não fala, apenas observa, Deus quer lhe ensinar algo por meio
daquela cena, mostrando-lhe como trabalha aquele cujo ofício é moldar a argila disforme,
transformando-a em um objeto com forma e uso definidos. Imagino-me também
observando a mesma cena...não há como não pensar no próprio Deus tendo o barro
em suas mãos e dele fazendo o homem, sua imagem e semelhança (O Senhor Deus
formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de
vida e o homem se tornou um ser vivente. Gen 2:7). A argila, o barro quando nas
mãos do oleiro antes de enrijecer pela ação do calor têm a característica de
serem maleáveis, fáceis de moldar. Isso me faz pensar no quanto, por vezes, nos
tornamos rígidos em nossos conceitos, modos de pensar e agir e nem percebemos
que isso ao invés de nos fortalecer, nos torna mais frágeis. O vaso pronto
quebra ao cair no chão (Jer 19:10,11), a argila, por outro lado, apenas precisa
ser remoldada. Será que isso é claro pra nós? Os fariseus e outros religiosos
dos tempos de Cristo pareciam estar tão engessados por seus conceitos e
práticas que não conseguiram ver o Messias, bem ali, caminhando pelas mesmas
ruas que eles, lendo e ensinando as Escrituras que eles julgavam conhecer tão
profundamente. Não o viram, não o reconheceram, não o acolheram e o
crucificaram. Como Adão, fomos feitos de argila...nosso corpo físico...e
metaforicamente nosso espírito também, uma vez que nosso ser espiritual
necessita constantemente da ação das mãos do Oleiro, portanto, permitir a
renovação de nossas mentes é compreender que Deus nos quer sempre em movimento,
a exemplo da argila que gira sobre a roda enquanto é moldada. Penso que Deus
nos diz algo assim: mova-se, mova-se, não pare! Porque enquanto você se move,
Eu estou agindo. Claro que esse mover é debaixo de uma intervenção continua de
Deus, superando os obstáculos que nos impedem de caminhar ou mesmo correr
obedecendo à verdade, como diria Paulo, num outro contexto, aos Gálatas (Vocês
corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? Gal 5:7)
Sem querer exagerar na
interpretação do texto (ou exegese, para os teólogos...rs) - talvez forçando só
um pouquinho – é interessante notar que a roda do oleiro faz um movimento
circular que tem sua velocidade regulada pelo próprio oleiro. Só por
curiosidade eu lembro que planetas, satélites e mesmo elétrons no átomo
executam um movimento que genericamente pode ser considerado como circular. Isso
não está escrito no texto, mas há tantos ciclos na existência do universo,
criação de Deus, que quero crer que Ele também nos ensina algo quando nos pomos
a observar esse movimento. No movimento da argila sobre a roda pontos específicos
de sua superfície passam várias vezes pelas mãos do oleiro, é assim que ele vai
dando a forma desejada e é nesse movimento, que tanto se repete, que as
imperfeições aparecem, que os elementos estranhos à argila ao tocar a mão do
oleiro estragam o vaso que estava se formando. Assim, me parece que, quando
conhecemos a Jesus e colocamos nossas vidas em Suas mãos, submetemos nossas
impurezas à ação de suas mãos nos moldando. Num primeiro giro talvez não
apareçam, mas continuamos nos movendo, e a cada dia um agir mais profundo de
Deus vai, no segundo ou terceiro giro, trazendo à tona coisas que estavam entranhadas
em nossa natureza, que sequer pareciam nos incomodar ou que até acreditávamos que
eram argila também. É nessa hora que Jeremias diz que o vaso de barro se
estragou. Não dá pra moldar o vaso se houver impurezas assim. É necessário
retirá-las e recomeçar o trabalho. Assim Deus nos ensina que Seu trabalho em
nossas vidas é constante, e não há por que se desesperar se algo aparentemente
deu errado, se aquela imperfeição finalmente apareceu. Isso não é o fim do
mundo, na verdade pode ser exatamente o começo de uma nova vida, restaurada,
reerguida, refeita pelas mãos de Deus.
O oleiro é um artesão, não há
um vaso exatamente igual a outro, por isso fazer vasos é uma arte. Deus é nosso
oleiro, é o nosso artista. É nele que devemos depositar a confiança de que o
trabalho está em boas mãos e que Ele sabe exatamente que peça Ele quer criar.
Portanto, lembro das palavras de Deus escritas por Paulo aos filipenses: “Estou
convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o
dia de Cristo Jesus”(Fil 1:6)
Nenhum comentário:
Postar um comentário